Caso anestesistas: médico investigado disse ao filho para treinar medicina “entubando velhos sem dentes”
Outro médico expôs imagem íntima de paciente. Ao todo, quatro médicos anestesistas de Leopoldina foram denunciados pelo MP
Por Liriane Rodrigues
Um dos quatro médicos anestesistas de Leopoldina, investigados por organização criminosa, fraudes e desvio de dinheiro público da Saúde, disse ao filho que treinasse medicina “entubando velhos” “sem dentes”. A conversa interceptada consta na denúncia feita pelo Ministério Público à Justiça. De acordo com o MP, a sugestão foi feita, em tom de ironia, pelo anestesista a um filho, aparentemente estudante de medicina.
Ainda de acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), outro médico denunciado expôs a imagem íntima de paciente para um comparsa. Já a médica também denunciada, que segundo o Gaeco liderava o esquema criminoso, chegou a se intitular a “rainha dos atestados”. Segundo as investigações, atestados falsos eram emitidos para justificar ausências dos anestesistas no plantão.
A denúncia do MP aponta que essa mesma anestesista, além de idealizar toda a manipulação de escalas médicas, agiu intensamente para interferir na produção de provas, intimidando testemunhas e informantes.
As apurações do Gaeco revelam que os quatro anestesistas integravam uma organização criminosa voltada ao desvio de dinheiro público da área de saúde, manipulação de escalas médicas, marcação de cirurgias simultâneas/sequenciais e realização de cirurgias eletivas, quando deveriam estar no plantão de emergência do SUS nos hospitais de Leopoldina e Além Paraíba.
Ainda de acordo com o Gaeco, para concretizar a empreitada criminosa, os médicos combinavam versões, falsificavam e manipulavam documentos importantes e colocavam a responsabilidade em funcionários aparentemente inocentes, como os da enfermagem. As apurações também revelaram práticas de fraudes e ocultação de erros médicos.
Nesta semana, o Gaeco cumpriu quatro mandados de bloqueio de bens expedidos pela Justiça contra os médicos, na 3ª fase da Operação Onipresença. Além disso, a Justiça determinou o afastamento dos quatro denunciados de todas as unidades de saúde com atendimento pelo SUS e o compartilhamento das provas com os Conselhos Federal e Regional de Medicina, com a Gerência Regional de Saúde e com todas as vítimas diretas e/ou indiretas.
O MP ressaltou que as investigações continuam em andamento e não se descarta o envolvimento de outras pessoas no esquema investigado.