Polícia

Justiça determina afastamento de anestesistas investigados por desvio de dinheiro público de todos os hospitais conveniados ao SUS

Os quatro médicos, que tiveram os bens bloqueados, são acusados pelo Ministério Público de cometerem fraudes. Vítimas podem ter acesso ao processo criminal

Por Liriane Rodrigues

A Justiça determinou que, além de terem os bens bloqueados, os quatro médicos anestesistas de Leopoldina investigados e denunciados por organização criminosa e desvio de dinheiro público na área da Saúde sejam afastados de todo e qualquer hospital conveniado ao SUS.

O pedido, feito na denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais, tem o objetivo de resguardar o andamento das investigações e a sobreposição do interesse público sobre o privado. Segundo o MP, as investigações continuam em andamento e não se descarta o envolvimento de outras pessoas no esquema investigado.

Nesta segunda-feira (09/03), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Zona da Mata realizou a 3ª fase da Operação Onipresença e cumpriu, em Leopoldina e Além Paraíba, quatro mandados de bloqueio e indisponibilidade de bens dos investigados.

A Justiça também determinou que todas as provas colhidas na investigação sejam compartilhadas com os Conselhos Federal e Regional de Medicina, com a Gerência Regional de Saúde e com todas as vítimas diretas e/ou indiretas das condutas executadas pelos médicos.

Além de desvio de dinheiro público da área da Saúde, os anestesistas são suspeitos de manipulação de escalas médicas, cirurgias simultâneas/sequenciais e cirurgias eletivas durante o plantão SUS na Casa de Caridade Leopoldinense e no Hospital São Salvador, em Além Paraíba.

De acordo com o Ministério Público, liderados por uma médica, os profissionais combinavam versões, falsificavam e manipulavam documentos e imputavam responsabilidades a pessoas aparentemente inocentes.

Ainda segundo o MP, as apurações revelaram práticas de fraudes, ocultação de erros médicos e emissão de atestados falsos, utilizados para justificar ausências no plantão. Tais condutas, apontam os promotores, causadoras de graves riscos à saúde e à vida dos usuários.

Para garantir que eventuais vítimas e familiares tomem conhecimento dos fatos até então apurados, a Justiça permitiu que todos os interessados tomem conhecimento do teor da denúncia. Para ter acesso ao processo, qualquer interessado poderá fazer o requerimento em juízo, enviando a solicitação pelo e-mail lpd1criminal@tjmg.jus.br (processo criminal nº. 5007321-05.2025.8.13.0384).

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