Policial civil é preso após ameaçar policiais militares com arma em ocorrência de Maria da Penha
Policiais militares conseguiram contornar a situação verbalmente e nenhum disparo foi feito. Policial civil vai responder em liberdade
Por Liriane Rodrigues
Um policial civil lotado na delegacia de Leopoldina foi preso em flagrante pela Polícia Militar pelo crime de ameaça no âmbito da Lei Maria da Penha. O policial, que tem 36 anos e não teve o nome divulgado, também apontou sua arma de fogo e ameaçou os policiais militares que atenderam a ocorrência. O caso aconteceu na noite do último domingo, dia 28, no bairro Arthur Leão.
Segundo o registro de ocorrência feito pela Polícia Militar, a equipe foi acionada para atender uma denúncia de violência doméstica envolvendo um policial civil supostamente armado. Os PMs também receberam a informação de que a briga evoluíra para a rua.
O registro informa que, ao chegarem ao local, a esposa do policial encontrava-se chorando na rua e relatou ter sido agredida, inclusive no rosto, e ter sido ameaçada com a arma. Segundo o relatório policial, ela mostrou aos PMs os hematomas visíveis das agressões. Posteriormente, ela negou que o marido a tivesse ameaçado com a arma.
Ainda de acordo com a Polícia Militar, com o policial civil exaltado, os PMs tentaram contornar a situação verbalmente, em tom conciliador. Mas o policial civil entrou na residência e disse que não permitiria a entrada dos policiais militares no imóvel. Ainda de acordo com o relato dos PMs, ele foi para o segundo andar e, em determinado momento, ao perceber que a esposa tentava abrir o portão da casa, o policial civil sacou a arma de fogo e, da janela voltada para a rua, apontou-a para dois PMs, ameaçando-os. Diante da ameaça, os policiais militares, que não tinham local para se abrigar, também sacaram suas armas.
Apesar da tensão e do risco iminente, os PMs conseguiram, com diálogo, acalmar o policial civil, que desceu desarmado e foi contido sem necessidade de uso de força física. Nenhum disparo foi feito. A arma dele foi apreendida no quarto. A PM informou ainda que outro policial civil, conhecido dele, chegou e auxiliou no processo de pacificação. Pouco depois, equipes da Polícia Civil, inclusive a delegada da Delegacia de Atendimento à Mulher, doutora Gisela Borges de Mattos, chegaram ao local e assumiram a custódia do policial civil, que foi preso em flagrante.
O caso foi registrado pela Polícia Militar como agressão/vias de fato. No entanto, ainda segundo o registro de ocorrência da PM, a mulher negou atendimento médico e o caso foi registrado na Polícia Civil como ameaça no âmbito da Lei Maria da Penha. Além dela, duas testemunhas foram encaminhadas pela PM para registro da ocorrência.
Nossa reportagem entrou em contato com a Polícia Civil que informou, através da assessoria de imprensa, que “ratificou o flagrante pelo crime de ameaça no âmbito da Lei Maria da Penha. Além do inquérito policial, um procedimento foi instaurado na Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais”. A nota informa também que, “em audiência de custódia, o Judiciário autorizou que o policial responda em liberdade e permaneça trabalhando com restrição ao uso de arma de fogo”.