Por Orlando Macedo
O esporte como vetor de mudança social
Para quem não acompanha, hoje o maior atleta de jiu jitsu se chama Mika Galvão. Com 20 anos ele já havia conquistado todos os títulos possíveis, hoje luta grandes eventos pelo mundo. Nas redes sociais dele? O aniversário da mãe, a esposa grávida, agradecimentos a Deus, e uma declaração do pai dele sobre o quanto todos esses valores foram importantes.
É uma exceção? Não. Mackenzie Dern, campeã do UFC, após ganhar sua última luta, ainda machucada, recebe o abraço da filha pequena. Raphaella (@raphacomlles), faixa preta, viaja o mundo fazendo reportagens acompanhada do marido. Sarah Galvão, campeã mundial, tem como inspiração seu pai e sua mãe que sempre a acompanham.
E esse texto é sobre isso: inspiração. E as inspirações para este texto foram duas: a postagem do Mika no aniversário de sua mãe e um puxão de orelha que uma amiga deu no meu filho, que entrou sem vontade em uma luta. O discurso dela foi bonito e passou para ele palavras que eu queria dizer e não encontrava.
Quando você começa a se destacar em qualquer área (vale pra todas, vou discorrer sobre esporte), você vira modelo. Não porque você queira, mas sim por uma necessidade visceral do ser humano de buscar exemplos a seguir. E com isso nascem grandes responsabilidades. Porque aquela criança que te assiste vai torcer por você. Às vezes você vai ganhar, as vezes você vai perder, mas nunca, absolutamente nunca, você pode deixar de dar o seu melhor. Porque é um dever até como ser humano tentarmos deixar nossa sociedade cada vez melhor, e isso só vai acontecer se passarmos bons exemplos.
Mas infelizmente há os maus exemplos: aquele atleta que chuta um equipamento, que discute com seu treinador, que usa de artifícios violentos. Esses devem ser evitados, e sequer reconhecidos como atletas. Ser atleta, se pegarmos a concepção grega das Olimpíadas, é um sacrifício que fazemos em homenagem aos deuses, para que estes tragam bonanças para seu povo.
Se torna uma cadeia de valores, uma espiral positiva: você se espelha em alguém de valor, passa a trabalhar com esses valores e a transmiti-los. Como disse o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, somos responsáveis por aqueles que cativamos.
Na hora de escolher o caminho de seu filho, veja qual é o melhor espelho. Cerque-o de bons professores, bons técnicos. Esses profissionais não são adequados? Ou procure outros ou mostre em casa que certas atitudes não correspondem ao valor esperado. E seja você mesmo um exemplo. Não é fácil. Deus é testemunha de quantas vezes errei e não fui o exemplo que eu deveria ser. Humildemente pedi desculpas e mudei.
Um bom técnico e um bom professor não são somente aqueles que têm os melhores resultados. São aqueles que inspiram.
Orlando Macedo é engenheiro mecânico e professor, com especialização em extensão em Pedagogia; Gerenciamento de Equipes, pela Universidade do Futebol; e Gestão de Times de Futebol (IFET-CE). Ao longo da carreira, atuou como docente em diferentes instituições, foi coordenador do Time Açaí de Futsal Infantil e proprietário da Escolinha Titãs.
A opinião dos nossos colunistas não necessariamente representam a opinião do Bom Dia Leopoldina.









