Funerárias, Casa de Caridade Leopoldinense e Prefeitura buscam consenso sobre cobrança para realização de velório

Taxa de R$ 400 para uso da Capela Mortuária tem gerado polêmica e insatisfação entre moradores e usuários do serviço

A Prefeitura de Leopoldina, a Casa de Caridade Leopoldinense e as funerárias Nossa Senhora Aparecida e Cristo Redentor estão em negociação e buscam um consenso sobre a cobrança de uma taxa para realização de velório na Capela Mortuária, que fica anexa ao cemitério e é de propriedade da Casa de Caridade Leopoldinense.

Foto: divulgação

Uma reunião foi realizada nesta quarta-feira (09) para debater o assunto e um segundo encontro foi marcado para a próxima semana.

De acordo com a Prefeitura, desde 2013, a capela vinha sendo alugada pelas funerárias, que cobravam, das famílias, uma taxa de R$ 400 por velório realizado no local. Em alguns casos, a cobrança ultrapassaria essa quantia. E, pelo aluguel do espaço, as funerárias pagavam à Casa de Caridade Leopoldinense o valor mensal de R$ 1.500, cada, somando R$ 3 mil.

Após 12 anos de uso do espaço pelas funerárias, em março de 2025, a Casa de Caridade Leopoldinense, já sob intervenção municipal, decidiu rescindir o contrato de aluguel com as empresas, segundo a Prefeitura, devido a diversas reclamações da população sobre “a falta de zelo, de manutenção e de segurança no local”. Pelo acordo, as funerárias eram as responsáveis pela manutenção do imóvel.

Além disso, a administração da instituição considerou que o valor de aluguel da Capela Mortuária pago por mês à Casa de Caridade estava defasado e incompatível com os valores atuais de mercado.

Diante do rompimento do contrato com as funerárias, a Prefeitura passou a administrar o espaço e teria constatado que havia uma dívida de dezenas de milhares de reais com a Casa de Caridade Leopoldinense, cujo pagamento parcelado já teria sido negociado.

Com a extinção do contrato de aluguel, a nova administração começou, nesta semana, a cobrar que a taxa de R$ 400 paga pelas famílias por velório, para manutenção do local, fosse repassada diretamente à Casa de Caridade Leopoldinense, dona do espaço, o que gerou insatisfação e um impasse. E teria motivado uma briga entre um funcionário da Prefeitura, que trabalha na administração da capela, e o funcionário de uma das funerárias.

Nossa reportagem entrou em contato com Ricardo Gomes, o Ricardo Paf Pax, dono da funerária Nossa Senhora Aparecida. O empresário confirmou que era feita a cobrança da taxa de 400 reais por velório pelas funerárias, mas alegou que esta quantia era cobrada apenas nos enterros particulares e não das famílias que possuem plano funeral, o que, segundo ele, representam 95% dos enterros.

Ele negou ainda a informação de que, dependendo do caso, a taxa cobrada era maior. Ricardo Paf Pax explicou que, embora o contrato de prestação de serviço assinado com as famílias indicasse a capela municipal como local do velório, as cerimônias eram realizadas na capela pertencente à Casa de Caridade, por praticidade, já que o espaço era arrendado pelas funerárias.

Ainda segundo o empresário, além do aluguel de 3 mil reais, as funerárias custeavam um funcionário para limpeza, material de limpeza e manutenção e troca de itens depredados ou furtados, visto que a capela mortuária é, constantemente, alvo de invasores.

Ricardo Paf Pax destacou ainda que os pagamentos dos aluguéis e contas à Casa de Caridade Leopoldinense eram feitos em dia, todos os meses, via PIX, e negou existir dívidas anteriores com a instituição.

Em relação às negociações que estão em andamento sobre os valores para pagamento à Casa de Caridade, o dono da funerária preferiu não se manifestar ainda, para não atrapalhar o andamento das conversas.

Nossa produção entrou em contato também com Marcelo Rodrigues Gouvêa, proprietário da funerária Cristo Redentor, que informou que prefere não se pronunciar sobre o caso por enquanto, visto que as negociações estão em andamento. Marcelo Rodrigues disse ainda que espera que os envolvidos cheguem a um consenso na segunda-feira (14), quando será realizada uma nova reunião.

Nesta quarta-feira (10), representantes da Prefeitura, da Casa de Caridade e das funerárias se reuniram para debater o caso e buscar uma solução. O encontro, acalorado, segundo fontes ouvidas pelo Bom Dia Leopoldina, terminou sem consenso. Uma segunda reunião foi agendada, então, para a próxima semana, quando será avaliada uma proposta apresentada pelas funerárias para a utilização da Capela Mortuária.

Por nota, a Prefeitura disse que o objetivo é dialogar e buscar, de forma conjunta, uma solução que atenda aos interesses da população.

Veja o vídeo a seguir.

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