Por Orlando Macedo
Dois sonhos e muito trabalho
Recentemente, como noticiado pelo Bom Dia Leopoldina, tivemos dois jovens Leopoldinenses assinando contrato com clubes profissionais. Tive a honra de ter ambos jogando em nosso time de futsal, o Açaí. Sonho de quase todos os pequenos Leopoldinenses, eles chegaram lá. Sorte? Sim, mas não da maneira que vocês pensam.
Luidy, lateral esquerdo do América Mineiro, veloz, inteligente, com um chute certeiro de fora da área. Juninho, atacante do Botafogo, arisco, com uma habilidade única com bola. Mas eu ainda vejo os dois pequenininhos, portando a camisa do Açaí, brincando na minha garagem, dormindo lá em casa. Sim, eles tiveram uma infância de criança, se divertiram e sempre gostaram de jogar futebol. De todas as maneiras em todos os lugares. Juninho nos campinhos do Eldorado, na pracinha com gol de chinelo, no meio da rua. Luidy no Brasília, no Bastião, no Recreio ou em qualquer lugar do mundo que ele ouvisse a palavra bola.
Lembra que eu falei de sorte? Pois bem, a sorte do Juninho foi ter um tio como o Ítalo. Dono de um canal sobre futebol no YouTube, Ítalo criava histórias e personagens, com nomes engraçados, heróis e vilões construídos no vídeo que chamaram a atenção do Vasco. Os meus eram o Cristiano Ronaldo e o Rapha Messi, o brasileiro que queria ser argentino. E tinha o Novo Ischia, o Boleiro Fantasma e muitos outros. Quando Juninho se mudou para o Rio, lá pelos seus onze aninhos, Ítalo estava lá com ele e permanece com ele até hoje. Uma amizade linda e incondicional entre primos.
A sorte do Luidy se chama Alexandre Cotó. Meu colega de trabalho na Sol e Neve, sempre acreditou no filho dele. Ele, também bom jogador, correu atrás dos sonhos do Luidy. Viajava para onde for levando a peneiras, campeonatos, jogos de observação. Cotó foi tão incansável que em um jogo do Ubaense, Luidy saiu do banco de reservas para marcar e ir para o América Mineiro. O sonho do Alexandre era ter o filho atacante, mas teve a sabedoria de deixar jogá-lo na lateral a conselho dos técnicos (Ítalo e Caio devem ser citados aqui) e abriu os caminhos. Cotó, de coração, eu e Márcia admiramos o que você fez pelo Luidy, mais um motivo de sermos fãs de vocês até hoje.
Conseguiram! Estão na base. Game Over? Não…
Esses dois, com cerca de onze anos, começaram a ter uma rotina de atleta. Acordar muito cedo de manhã, ir para escola, almoçar, ir para o treino, preparação física, treino tático. Chegavam cansados a noite, tendo que fazer dever e dormir porque no dia seguinte era igual. E nos fins de semana, jogo. Longe da cidade natal, dos amigos, que conseguem ver esporadicamente. E até hoje mantém essa rotina. E foi essa garra e o trabalho, além do talento, que levaram eles a seus contratos. Sorte foi ter um Ítalo e um Cotó. O resto foi puro trabalho duro.
O Juninho ainda passou aperto de troca de times. Começar tudo de novo, provar tudo de novo. Para quem não conhece o mundo do futebol, ele é cruel. Você sai de sua casa, vai morar em alojamento, sozinho, e daqui a alguns meses surge um outro um pouquinho melhor que você. E acabou. O Alexandre me contou que o Luidy ligou assustado para ele falando que estavam testando um outro lateral. A única resposta que ele teve é: faça o seu.
Orlando Macedo é engenheiro mecânico e professor, com especialização em Extensão em Pedagogia; Gerenciamento de Equipes, pela Universidade do Futebol; e Gestão de Times de Futebol (IFET-CE). Ao longo da carreira, atuou como docente em diferentes instituições, foi coordenador do Time Açaí de Futsal Infantil e proprietário da Escolinha Titãs.
A opinião dos nossos colunistas não necessariamente representam a opinião do Bom Dia Leopoldina.









