Matadouro de Leopoldina, desativado, é invadido

Cadeado colocado pela Prefeitura foi trocado e que espaço vinha sendo utilizado

O matadouro municipal de Leopoldina, que foi interditado pela Vigilância Sanitária em 2022 e está desativado desde então, foi arrombado e invadido. A descoberta foi feita, nesta semana, pelas autoridades municipais.

Nesta segunda-feira (07), representantes da Vigilância Sanitária, Meio Ambiente, Guarda Civil Municipal e chefia do gabinete da Prefeitura foram ao local verificar denúncias de que o matadouro vem sendo usado de forma clandestina. Ao chegarem ao imóvel, as autoridades constataram que o cadeado usado pela Prefeitura para isolar o estabelecimento tinha sido trocado por outro, colocado de forma irregular.

Foi necessário, então, arrombar a entrada. No interior do estabelecimento, além de outra porta trancada com cadeado, foram encontrados indícios de que o espaço, apesar de interditado, vem sendo usado ilegalmente: escritório em funcionamento, geladeira ligada com comida e bebida, inclusive, cerveja gelada, pia molhada, botas novas, relógio funcionando e uma horta ativa.

Além disso, a leitura feita no medidor de água pela Copasa provou histórico de consumo contínuo durante os meses de 2025, também indicando, segundo as autoridades, que o imóvel vem, de fato, sendo usado para alguma atividade. Não foram encontrados indícios de que estão sendo realizados abates de animais no espaço. No pátio, um caminhão frigorífico limpo e em bom estado de conservação estava estacionado, com a chave na ignição. O motorista não foi localizado.

Pesquisas revelaram que o veículo pertence à Associação dos Comerciantes de Carnes de Leopoldina, que tinha a concessão da Prefeitura para explorar o matadouro à época em que o estabelecimento foi interditado e desativado. O imóvel foi novamente lacrado pela Prefeitura.

No dia seguinte, nesta terça-feira (08), ao retornarem ao matadouro municipal, as autoridades encontraram, novamente, o estabelecimento arrombado, com o novo cadeado quebrado, portão entreaberto e o caminhão não estava mais no local. Uma das portas internas, aberta no dia anterior, tinha sido novamente trancada.

Cerca de duas horas depois, em patrulhamento na Avenida Expedicionários, no Bela Vista, o caminhão foi localizado pela Guarda Civil Municipal. Um homem se apresentou como sendo o condutor do veículo, motorista da associação. Também se apresentou um homem que se identificou como presidente da Associação dos Comerciantes de Carnes de Leopoldina.

Segundo registro das autoridades, ele assumiu que arrombou o cadeado e que o matadouro está em uso pela associação. Além disso, disse entender que a associação tem direito de usar o local. O caso foi registrado como dano qualificado ao patrimônio público e encaminhado para a Procuradoria do município e para a Polícia Civil.

A Associação dos Comerciantes de Carnes de Leopoldina recebeu, há mais de 20 anos, do município, a concessão para realizar no local o serviço público de abate de animais. Em 2022, o matadouro, localizado no bairro Jardim dos Bandeirantes, foi interditado por falta de licenciamento ambiental e após denúncias de suposto crime ambiental, com despejo de restos mortais, sangue e vísceras de animais no Córrego Feijão Cru, que culminou com diligências de órgãos ambientais e sanitários no estabelecimento.

Paralelamente, a associação entrou na Justiça com uma ação de usucapião para tentar assumir a propriedade do imóvel e, desde então, iniciou-se uma batalha judicial entre o município de Leopoldina e a Associação dos Comerciantes de Carnes da cidade. A Justiça entendeu que o imóvel pertence, de fato, a Leopoldina. O município ganhou a disputa e, no início deste ano, o imóvel foi registrado em nome da Prefeitura Municipal de Leopoldina.

Os produtores rurais pedem que seja dada uma solução para reabertura do matadouro, pois, sem ele, os animais de Leopoldina estão tendo que ser levados para serem abatidos em Cataguases, gerando custo alto para os produtores e gerando arrecadação para o município vizinho.

Acompanhe o vídeo abaixo.

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