Feminicídios crescem 4,5% em Minas Gerais, que concentra 11% dos casos do país
Em 2025, foram registrados no Estado 177 crimes consumados. Leopoldina está na contramão e registra queda no número de casos
Por Liriane Rodrigues
O número de feminicídios – assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres – cresceu quase 4,5% em Minas Gerais em 2025, em relação ao ano anterior. Foram, ao todo, 177 crimes consumados. Outras 207 tentativas de feminicídio foram registradas no Estado, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os índices também cresceram em âmbito nacional.
O levantamento aponta ainda que Minas Gerais concentra mais de 11% de todas as vítimas de feminicídio do país, ocupando o segundo lugar nacional em números absolutos.
Segundo a delegada da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Leopoldina, Gisela Borges, geralmente, este tipo de crime acontece dentro do lar, no contexto de violência doméstica, e é motivado por desentendimentos e consumo de álcool e drogas. Em 80% dos casos, as mulheres são vítimas de companheiros ou ex-companheiros e 50% dos crimes são cometidos com armas brancas, como facas.
“O feminicídio é a morte de uma mulher em circunstâncias de violência doméstica e pelo menosprezo na condição de mulher. Geralmente, ocorre entre pessoas com vínculos socioafetivos. As motivações são variadas, em especial, os conflitos domésticos em relações amorosas, inclusive e especialmente, devido ao término da relação”, informou a delegada Gisela Borges.
Neste dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha, de combate à violência doméstica, completa 20 anos. Para a delegada, o caminho para reverter esta realidade é garantir a aplicação da Lei.
“O desafio, ao meu entender, não é a criação de novas leis. Nós já temos ferramentas legais suficientes para combater esse tipo de fato. O desafio é a aplicação da lei e a fiscalização da sua aplicação”, destacou a delegada.
A maior parte dos casos de feminicídio ocorre em cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes. Enquanto o país e o Estado contabilizam crescimento nos índices, Leopoldina segue no caminho contrário. Para a delegada Gisela Borges, essa realidade é resultado de uma rede de atendimento estruturada e organizada.
Assista abaixo a reportagem com a entrevista completa e exclusiva que o Bom Dia Leopoldina fez com a delegada da Deam, Gisela Borges.
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