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O que ajustar na alimentação quando o corpo começa a dar sinais

Por Dra. Flávia Guerra

Quando o corpo começa a dar sinais, a reação mais comum é tentar resolver rápido.

Corta um alimento, testa outro, retira o café da manhã ou evita o jantar, adiciona mais fibra, toma
um chá…
Sempre com a sensação de que falta encontrar “o que está errado”.

O problema é que, na maioria das vezes, essa busca vira uma sequência de tentativas, e não um
ajuste estratégico.

Isso acontece porque a alimentação passa a ser tratada como uma lista de acertos e erros, quando,
na prática, ela funciona como um sistema.

O corpo não responde apenas ao alimento isolado.
Não existe um alimento “vilão” que, sozinho, vá causar o problema e nem um alimento “mocinho” que vá resolver.

Ele responde à forma como você come, à frequência, ao contexto e ao estado em que o organismo
se encontra naquele momento.

Por isso, antes de pensar em retirar alimentos, o primeiro ajuste costuma ser outro:

Parar de reagir e começar a observar.

Observar padrões.

Quando o sintoma aparece?
Depois de quais refeições?
Que alimentos fizeram parte dessas refeições?
Existe excesso?
Existe pressa?
Existe estresse?
Os alimentos foram mastigados de forma adequada?

Sem esse tipo de leitura, qualquer mudança vira tentativa aleatória, e isso, muitas vezes, gera mais
confusão do que resultado.

Outro ponto importante é entender que nem sempre “melhorar a alimentação” significa melhorar
a resposta do corpo.

Aumentar fibras, incluir mais alimentos naturais ou variar mais a dieta pode ser positivo, mas
também pode piorar sintomas, dependendo do estado do organismo e da forma como isso é feito.

Por isso, o ajuste não começa com restrição.

Ele começa com observação e direção.

Direção sobre o que manter, o que reduzir e o que reorganizar.

É esse tipo de raciocínio que diferencia uma mudança pontual de uma estratégia que realmente
funciona.

Quando os sinais se tornam frequentes, soluções rápidas não funcionam.

Porque o corpo está pedindo entendimento.

E é a partir desse entendimento que os ajustes passam a fazer sentido.

A nutrição não é complemento.
É parte central do cuidado em saúde.

Flávia Guerra é nutricionista clínica, com foco em modulação intestinal e saúde metabólica. CRN 1722.
Instagram: @nutriflaviaguerra

A opinião dos nossos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Bom Dia Leopoldina.

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