Médicos do Hospital de Cataguases são alvos de operação policial
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra dois profissionais. Um deles é suspeito de cobrar por atendimento que deveria ser gratuito
Por Liriane Rodrigues
Médicos ligados ao Hospital de Cataguases, na Zona da Mata mineira, foram alvos de uma operação realizada, na manhã desta quinta-feira (26/03), pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Minas Gerais e pela 1ª Promotoria de Justiça de Cataguases, com apoio da Polícia Civil. Os médicos são suspeitos de praticarem crimes contra a administração pública e em prejuízo a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Na operação, denominada Assepsia, foram cumpridos em Cataguases mandados de busca e apreensão contra ao menos dois profissionais da saúde.
Segundo o Ministério Público, os trabalhos seguem duas linhas de investigação. Um dos profissionais é investigado por cobrar de pacientes e familiares internações e atendimentos que deveriam ser integralmente gratuitos no pronto-socorro do Hospital de Cataguases. Há indícios de que essas cobranças ocorreram de forma reiterada.
Na outra frente de investigação, um profissional da saúde é investigado por manter vínculos simultâneos com os municípios de Astolfo Dutra, Cataguases e Rodeiro, recebendo, nos dois primeiros, remunerações sem o efetivo cumprimento das jornadas de trabalho. As investigações apontam incompatibilidade de horários, com a realização de atendimentos em outros locais, inclusive na iniciativa privada, durante o período em que o médico deveria estar em serviço público.
Além disso, é analisada a possível inserção de informações falsas em registros de frequência. Também são apurados indícios de atuação sistemática e eventual participação de terceiros para viabilizar as irregularidades.
Policiais de Leopoldina participaram da ação, que teve o objetivo de coletar documentos, dispositivos eletrônicos e demais elementos de prova que contribuam com as investigações. Os promotores querem ainda identificar eventuais coautores e mensurar os prejuízos causados aos cofres públicos.