Por Dr. Luiz Augusto Cabral
O perigo invisível no copo: o que você precisa saber sobre o metanol
Nos últimos meses, diversos casos de intoxicação por metanol têm chamado a atenção das autoridades sanitárias no Brasil. O que muita gente não sabe é que essa substância, completamente incolor e com cheiro semelhante ao álcool comum, pode causar cegueira e até a morte em poucas horas — e muitas vezes está presente em bebidas falsificadas e outras vendidas como “artesanais”.
O que é o metanol e por que ele é tão perigoso:
O metanol é um tipo de álcool usado na indústria química, como solvente, combustível e em produtos de limpeza. Ele não é próprio para consumo humano.
O problema ocorre quando bebidas adulteradas — especialmente cachaças, vodcas, uísque e licores — são produzidas de forma ilegal e misturadas com metanol para baratear o custo ou aumentar o teor alcoólico.
Quando ingerido, o metanol é transformado no fígado em formaldeído e ácido fórmico, substâncias extremamente tóxicas que atacam o sistema nervoso, fígado, rins e nervo óptico.
Sintomas de intoxicação por metanol:
Os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo, dependendo da quantidade ingerida.
Os mais comuns são:
Náuseas, vômitos e dor abdominal.
Dor de cabeça intensa e tontura.
Visão embaçada, fotofobia (sensibilidade à luz) e, nos casos graves, cegueira súbita.
Respiração acelerada, confusão mental e sonolência.
Nos casos mais severos, coma e morte.
Um detalhe importante: o metanol engana o corpo — os efeitos iniciais podem parecer os de uma simples ressaca, o que atrasa o diagnóstico.
Como é feito o diagnóstico:
O diagnóstico é clínico e laboratorial. Em hospitais, mede-se o nível de ácido fórmico e metanol no sangue, além de observar sinais de acidose metabólica (alteração grave do pH sanguíneo).
Como poucos laboratórios fazem esse exame, o histórico de ingestão de bebida suspeita é essencial para orientar o tratamento.
Tratamento e primeiros socorros:
A intoxicação por metanol é uma emergência médica. O tratamento deve começar o quanto antes, e pode incluir:
Administração de etanol ou fomepizol, que competem com o metanol no metabolismo e reduzem sua toxicidade.
Hemodiálise, para eliminar o metanol e seus metabólitos rapidamente.
Suporte intensivo com oxigênio e correção do equilíbrio ácido-base.
Se houver suspeita de intoxicação, procure um pronto-socorro imediatamente e leve a embalagem da bebida, se possível, para analise.
Como se proteger:
- Desconfie de preços muito baixos ou bebidas vendidas sem rótulo, selo fiscal ou procedência.
- Compre apenas de estabelecimentos licenciados.
- Fique atento em festas, eventos ou botecos informais que vendem “destilados caseiros”
- Neste momento, evite o uso de bebidas alcoólicas, principalmente destilados, até que se descubra a verdadeira origem destes casos.
- Mesmo pequenas doses podem ser fatais.
Um problema de saúde pública:
Nos últimos anos, surtos de intoxicação por metanol foram registrados em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Pernambuco, com várias mortes confirmadas.
Além da tragédia pessoal, esses casos revelam falhas na fiscalização e a necessidade de campanhas de conscientização.
O alerta é claro: metanol não é álcool comum — é veneno.
Como médico gastroenterologista, vejo com frequência os efeitos devastadores de substâncias tóxicas no fígado e em outros órgãos.
A melhor prevenção é informação e prudência.
Antes de brindar, tenha certeza de que o que há no copo é realmente seguro.
Dr. Luiz Augusto Cabral é médico gastroenterologista, sócio do Instituto de Gastroenterologia e Saúde Dr Luiz Augusto Cabral.
A opinião dos nossos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Bom Dia Leopoldina.









