Por Orlando Macedo
O desafio da educação frente às mudanças sociais e tecnológicas
Quando eu era pequeno, adorava ir à escola. A escola era o lugar onde o mundo todo, o conhecimento, as ideias novas eram trazidas até você. Quem as trazia eram professores apaixonados pelas suas matérias que com apenas giz e quadro-negro (que na verdade eram verdes…) conseguiam prender a atenção. Mesmo aqueles que não gostavam de ir à escola, tinham seus professores favoritos.
Outra vantagem da escola do passado era que ela abria as portas do mundo para você. Lembro-me ainda de minha avó me dizendo, enquanto penteava meus cabelos, para eu estudar para um dia poder ser Presidente da República. Comentário comum na época, chega a ser irônico hoje…
Meus filhos, obviamente, têm o compromisso de estar assiduamente em suas salas de aula, mas o feedback deles já não é tão positivo. Corpo docente desanimado com baixos salários e pais permissivos, a metodologia arcaica, ambientes sem desafios. E quem precisa hoje de escola para ter futuro?
É claro que isso é um problema. Dos grandes. Países que levam a educação muito a sério buscam alternativas, colocando o cenário digital presente, compartilhando espaço com cadernos e canetas, salas de aulas abertas, espaços comuns. E, mais importante, avaliação de resultados a cada mudança feita.
E no Brasil? Primeiro, a falta de investimento no setor. Enquanto escolas sul-coreanas têm um tablete para cada criança, aqui sequer conseguimos dar livros didáticos. Falta livro, falta professor, falta direcionamento.
Nem as mudanças de nossa educação surtiram efeitos. Os itinerários formativos são espetaculares, no papel. Será que ninguém pensou em formar professores específicos? As escolas estão deslocando docentes da área mais próxima para poder dar a matéria. Só que isso é errado. Pela própria natureza destes itinerários, tínhamos de ter gerentes de banco dando a formação financeira, jornalistas falando sobre redação, assistentes sociais falando das ciências humanas. Você vê como seria um cenário totalmente diferente?
Ao mesmo tempo, temos a competição digital. Enquanto eu assistia um longa-metragem de duas horas, hoje, dificilmente, um adolescente vê alguma coisa com mais de meia hora. Certo ou errado, é para esse público que temos que falar. E temos que prender a atenção deles, nos desafiar a cada aula, buscando, sem tecnologia, competir pela atenção.
O ponto de mudança aconteceu quando Steve Jobs e Bill Gates abandonaram suas instituições de ensino porque elas não mais os comportavam. Hoje, elas não comportam nossas crianças. Elas conversam com IA´s, mas não conversam com seus professores.
Ainda não tenho uma conclusão para isso, apenas reflexões. Veja a introdução, por exemplo, de escolas cívico militares, que impactam positivamente todos os índices mensuráveis. Não se deve a uma visão de fora do sistema fazendo diferente? Não acho que por si só sejam a resposta a todos esses desafios, mas foi uma quebra de paradigma positiva. Porque não o envolvimento só de militares, mas de toda sociedade nas escolas?
Não temos e dificilmente teremos as soluções dos países mais ricos, que investem pesado na educação, mas podemos buscar nossas próprias soluções, começando por permeabilizar os muros escolares para o mundo, permitindo novos desafios para trazer de volta o interesse pelo espaço escolar.
Orlando Macedo é engenheiro mecânico e professor, com especialização em Extensão em Pedagogia; Gerenciamento de Equipes, pela Universidade do Futebol; e Gestão de Times de Futebol (IFET-CE). Ao longo da carreira, atuou como docente em diferentes instituições, foi coordenador do Time Açaí de Futsal Infantil e proprietário da Escolinha Titãs.
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