Por Orlando Macedo
O papel dos pais na vida esportiva das crianças e adolescentes
Leopoldina está lançando o Projeto Time Leopoldina, que irá ministrar práticas esportivas para as crianças da cidade. Tecnicamente não vejo o porquê de não dar certo: o Professor Hudson não só foi atleta, inclusive com experiências em outros países cuja valorização do esporte é diferenciada, como também é pai de atleta de Alto Rendimento. Mas talvez o maior obstáculo entre uma criança e o sucesso no esporte sejamos nós, os pais. Como já administrei em conjunto com minha esposa escolinhas esportivas, vão algumas reflexões que podem ajudar ao seu filho a ter uma experiência fantástica nesse projeto, que é realmente inovador.
NÃO CRIE EXPECTATIVAS. É natural de nós, pais e mães, sermos fãs de carteirinha de nossos filhos. Nossos filhos não iniciam uma prática esportiva para se destacarem. Eles iniciam para receber tudo de bom que o Esporte proporciona: saúde, amizades, disciplina e resiliência. Esporte é sobre isso. Seu filho vai ser um novo Messi? Impossível de saber. Até porque o caminho é longo. As cobranças serão feitas ao longo do desenvolvimento e com certeza tudo que ele aprender vai ser parte do sucesso dele, seja como atleta, como médico, como advogado ou mesmo como futuros pais e mães como nós.
PERDER FAZ PARTE DO ESPORTE. Já tivemos alunos que os pais não deixavam participar de competições por medo do filho perder. Ele vai chorar, dizem. Sim, é verdade, quantas vezes tive que consolar o Rapha que se debulhava em lágrimas? A má notícia é que na vida perdemos mais que ganhamos. Michael Jordan, uma das maiores lendas do Basquete, perdeu mais que ganhou. Federer, tenista que por muitas vezes esteve no topo da lista, ganhou 54% das partidas apenas para se tornar número 1: perdeu quase a metade! Ambos perderam muito mais do que ganharam ao longo da careira. O que nos diferencia é a capacidade de assimilar e aprender, nisso o esporte é fundamental. E para quem acha que perder pode desmotivar a criança, vamos a duas derrotas importantíssimas que modificaram a história da minha família. A primeira, no futebol, quando fomos fazer um jogo contra o Remo, principal equipe da região na época. Perdemos. 10 a 1. Tomamos um baile, alguns pais tiraram seus filhos. Mas foi ali que descobrimos o nível onde tínhamos que chegar, e chegamos, ganhando inclusive em campeonatos deste mesmo time, jogo que aliás era clássico na época. O segundo exemplo é do Guilherme, hoje atleta de Jiu-Jitsu da Chão Explosivo. Ele começou a treinar sem vontade e no primeiro campeonato perdeu de 28×0. Ele nunca escondeu o resultado. Ele começou a treinar com seriedade e afinco. Um ano depois ele lutou esse mesmo campeonato e ganhou com 4 finalizações. Assimilaram, aprenderam e treinaram. Essa é resiliência do esporte.
VOCÊ NÃO É SEU FILHO. Muitos pais projetam suas frustrações esportivas nos filhos, tentando torná-los um “eu melhorado”. Cada indivíduo tem sua capacidade e seu jeito de praticar o esporte. Eu mesmo caio nessa armadilha de tentar ensinar o “jeito perfeito”. Isso só vai gerar perda de tempo e frustação. Dê liberdade da criança escolher a melhor forma de cumprir a tarefa. O jeito dela, seja qual for, será melhor que o nosso. Confie nos treinadores, que são formados e têm experiência. E não tente cobrar dele o que você nunca foi. Infelizmente isso afasta muita criança do esporte.
PARTICIPE. Isso é o melhor do esporte: a vida em família. Agradeço a Deus poder ter participado e ainda estar participando de cada passo esportivo de meus pequenos. Viajamos muito, temos vitórias esplendorosas e derrotas frustrantes. Mas sempre em família, porque a cada vitória você tem com quem compartilhar e cada derrota eles sabem que sempre tem alguém ali ao labo para ampará-los. Não sei quantas vezes me emocionei, vibrei, chorei por esporte. São emoções fantásticas que só que vive sabe.
Mas, para isso dar certo, NÃO TENHA PREGUIÇA. Esporte é praticado majoritariamente no fim de semana. Estar com seu filho não é perder tempo de descanso, é ganhar laços importantes que jamais serão desfeitos. É sua semente de futuro sendo plantada. Vá, se envolva, participe. As recompensas são muito maiores que algumas horas a mais de cama.
Bons treinos para todos!
Orlando Macedo é engenheiro mecânico e professor, com especialização em Extensão em Pedagogia; Gerenciamento de Equipes, pela Universidade do Futebol; e Gestão de Times de Futebol (IFET-CE). Ao longo da carreira, atuou como docente em diferentes instituições, foi coordenador do Time Açaí de Futsal Infantil e proprietário da Escolinha Titãs.
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