MP denuncia 26 por esquema de furto e revenda de cobre que movimentou mais de R$ 150 milhões
Quadrilha agia em pelo menos sete municípios da Zona da Mata mineira, entre eles, Leopoldina, Juiz de Fora e Ubá
Por Liriane Rodrigues
Vinte e seis pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa especializada no furto de cabos de cobre de redes de telefonia, internet e energia elétrica na Zona da Mata mineira foram denunciadas pelo Ministério Público de Minas Gerais.
As investigações apontam que a quadrilha, que movimentou mais de R$ 150 milhões, agia em Leopoldina, Juiz de Fora, Ubá, Visconde do Rio Branco, Matias Barbosa, São João Nepomuceno e Barbacena. Além disso, o material furtado era comercializado para empresas de outros estados.
Os denunciados, segundo a acusação, integram os núcleos executor, de articulação, logística, receptação local, liderança financeira e receptação interestadual.
De acordo com o Ministério Público, alguns dos membros da quadrilha, responsáveis pela escolha dos alvos e furto dos cabos, possuem experiência profissional no setor de telecomunicações e utilizavam seus conhecimentos técnicos para facilitar a execução dos crimes. Para evitar suspeitas, os criminosos usavam uniformes, crachás falsificados, veículos caracterizados, cones de sinalização e documentos adulterados, simulando a realização de serviços de manutenção.
A denúncia do MP destaca ainda que o material furtado era submetido a processos de descaracterização, como remoção de revestimentos e queima de fios, para dificultar a identificação de sua origem e aumentar seu valor de revenda.
Ainda segundo as investigações, empresários e comerciantes de sucatas localizados em Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro teriam adquirido grandes quantidades de cobre de origem ilícita, que foi processado industrialmente e reinserido no mercado formal. As transações ocorriam sem documentação fiscal compatível e eram ocultados os valores e a origem dos bens.
Os investigados foram denunciados, conforme a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, receptação qualificada e lavagem de dinheiro. O Ministério Público também pediu o pagamento de indenizações pelos danos causados às concessionárias de serviços atingidas e por danos morais coletivos.
Isso porque os furtos de cabos de cobre provocam impactos diretos na prestação de serviços essenciais à população, podendo causar interrupções nos sistemas de telefonia, internet e fornecimento de energia elétrica, além de gerar prejuízos econômicos e comprometer a segurança das comunidades afetadas.