Por Flávia Guerra
Intestino preso não é normal, mesmo que seja comum
Muita gente convive com intestino preso por anos e trata isso como se fosse apenas uma
característica do próprio corpo.
“Meu intestino sempre foi assim.”
“Eu só consigo ir ao banheiro uma vez por semana.”
“Preciso tomar alguma coisa para funcionar.”
Essas frases são extremamente comuns no consultório.
Mas ser comum não significa que seja normal.
O intestino faz parte de um sistema complexo que envolve digestão, absorção de nutrientes,
microbiota intestinal e eliminação de substâncias que o corpo não precisa mais. Quando esse
processo não funciona bem, o organismo começa a dar sinais.
Evacuar com pouca frequência, fazer muito esforço, sentir distensão abdominal ou depender
constantemente de laxantes não deveria ser visto como algo banal.
Muitas vezes, resolver o problema não está apenas em “comer mais fibra”, como se costuma dizer.
O funcionamento intestinal depende de diversos fatores:
• ingestão de líquidos
• variedade alimentar
• quantidade e tipo de fibras
• ritmo das refeições
• mastigação adequada
• nível de atividade física
• alimentos que causam sensibilidade em algumas pessoas
• equilíbrio da microbiota intestinal
Em alguns casos, aumentar fibras sem avaliar o restante da rotina pode até piorar sintomas como
gases, estufamento e a própria constipação.
Outro ponto importante é que o intestino costuma refletir o estilo de vida. Rotina irregular,
alimentação repetitiva, pouca ingestão de água e longos períodos sentado podem contribuir para
que o intestino funcione de forma mais lenta.
Por isso, quando a constipação se torna frequente ou persistente, o mais adequado não é apenas
recorrer a soluções rápidas, mas investigar o que está interferindo no funcionamento do
organismo.
O intestino não deveria funcionar “quando dá”.
Ele faz parte do equilíbrio do corpo.
Ajustes na alimentação em si, nos intervalos e regularidade das refeições ao longo do dia, e no
estilo de vida podem fazer diferença significativa no funcionamento intestinal e na qualidade de
vida.
A nutrição não é complemento.
É parte central do cuidado em saúde.
Flávia Guerra é nutricionista clínica, com foco em modulação intestinal e saúde metabólica. CRN 1722.
Instagram: @nutriflaviaguerra
A opinião dos nossos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Bom Dia Leopoldina.











