Oito pessoas, entre empresários, contadores e um servidor público municipal, foram denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais acusados de envolvimento em um esquema de fraude à licitação do transporte coletivo urbano de Cataguases. Eles vão responder também por associação para a prática de crimes contra a Administração Pública e organização criminosa.
Os denunciados vinham sendo investigados na Operação Clonagem, desencadeada em novembro de 2025 pela 1ª Promotoria de Justiça de Cataguases e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Regional Zona da Mata.
Segundo a denúncia do MP, os acusados teriam atuado de forma coordenada para frustrar o caráter competitivo da concorrência pública destinada à concessão do serviço de transporte coletivo urbano do município.
As investigações apontam que um mesmo grupo controlador usou duas empresas, formalmente distintas, para simular concorrência, com o objetivo de obter a integralidade da concessão pública e burlar a Lei que impede a concessão de mais de 50% das linhas a um único grupo empresarial.
Os denunciados responderão, conforme suas condutas individualizadas, pelos crimes de fraude à licitação, organização criminosa, violação de sigilo funcional e advocacia administrativa.
As investigações tiveram início após representação encaminhada ao Ministério Público apontando possíveis irregularidades na licitação destinada à concessão do transporte coletivo urbano de Cataguases.
No curso da apuração, foram realizadas análises documentais, inspeções, interceptações telefônicas e telemáticas e buscas autorizadas judicialmente, que, segundo o MPMG, evidenciaram a existência de um conglomerado empresarial que utilizava duas pessoas jurídicas para aparentar competição em um certame que, na prática, teria sido previamente ajustado entre os envolvidos.
De acordo com a denúncia, além da fraude à licitação, o esquema contava com divisão de funções entre empresários, contadores e um agente público, responsável, em tese, pelo repasse de informações privilegiadas e pelo favorecimento dos interesses do grupo perante a Administração Pública.