Cidade

Ação da Prefeitura contra trailers de lanches gera insatisfação nos moradores e chega ao Ministério Público

Medida faz parte da regularização da ocupação de espaços públicos destinados à exploração comercial. Comerciantes questionam prazos para desocupação

Por Liriane Rodrigues

Uma ação realizada pela Prefeitura de Leopoldina contra dois trailers de lanches gerou insatisfação entre moradores e foi parar no Ministério Público. Na Praça Juscelino Kubitschek, no São Cristóvão, um trailer de lanches, que funcionava há mais de 30 anos, foi demolido. No Bela Vista, um quiosque ao lado do poliesportivo, que funcionava há 20 anos, foi lacrado. Juntos, os dois empregavam, diretamente, 12 funcionários.

“A gente começou do zero, do nada, e hoje no ponto trabalham cinco funcionários que dependem desse serviço. Mas indiretamente, como minha família, meu pai, minha esposa, filho, aí somos de dez a 12 pessoas que dependem desse trabalho”, disse Ronald dos Santos Paixão, do trailer Cebolinha Lanches, no Bela Vista.
Entre os moradores, o sentimento é de tristeza.

Foto: Bom Dia Leopoldina

“Eu fiquei muito triste mesmo. Porque aqui só vinha família, os meninos são pessoas maravilhosas”, lamentou Maria, moradora do bairro São Cristóvão, onde o trailer usado pela lanchonete Larica’s foi removido.

Moradora do São Cristóvão há 50 anos, Darlene também demonstrou tristeza com o ocorrido.

“Na hora que a gente viu arrancando tudo, desmanchando, deu uma dor no peito, um vazio muito grande”, disse.

A ação, de acordo com a administração municipal, faz parte da regularização da ocupação de espaços públicos destinados à exploração comercial, para adequação à legislação. No entanto, os comerciantes questionam que nem todos tiveram o mesmo tratamento.

Isto porque, embora todos os trailleres e quiosques de lanche da cidade tenham sido notificados previamente sobre a necessidade de desocupação para realização de uma licitação pública, os comerciantes do Centro tiveram prazo dado até 31 de dezembro. Eles também questionam a forma como tudo foi feito.

Foto: Bom Dia Leopoldina

“Desde que essas medidas foram implementadas, nós estamos buscando um espaço, um diálogo com o Poder Público Executivo, exatamente para demonstrar a impertinência dessas medidas neste momento, levando em conta que outros estabelecimentos em situação análoga, idêntica, estão com prazo muito mais elástico, um prazo até 31 de dezembro. Então, o que se busca é um diálogo mais próximo e transparente e uma isonomia no tratamento de todos os envolvidos nessa questão”, destacou o advogado Gessy de Almeida, que representa os dois comerciantes.

O advogado informou ainda que levou o caso ao Ministério Público.

“Buscamos o Ministério Público porque entendemos que a medida implementada na segunda e terça-feira com relação à empresa Larica’s foi drástica, intempestiva, feita de maneira apressada e contrariando, inclusive, o próprio interesse público, afora o da empresa envolvida. Então, buscamos o Ministério Público, protocolizamos uma petição para que seja instaurado um procedimento para apurar se está havendo um tratamento isonômico ou não nessa questão”, completou Gessy de Almeida.

O advogado que representa os vendedores disse ainda que teve uma reunião na Prefeitura e que foi dada a garantia de que a situação será revista.

Por nota, a administração municipal disse que a iniciativa não teve o objetivo de prejudicar comerciantes ou impedir o exercício de suas atividades, mas garantir que a utilização dos espaços públicos aconteça de forma legal, transparente e com igualdade de oportunidades para todos.

A Prefeitura disse ainda que os comerciantes foram notificados e que os prazos legais foram cumpridos e que está em andamento um processo licitatório que permitirá a ampla concorrência e a participação de todos os interessados na exploração comercial dos pontos.

Por fim, disse que reconhece a importância dos comerciantes para a economia local e reafirma seu respeito às famílias que dependem dessas atividades para seu sustento, ao mesmo tempo em que tem o dever de zelar pelo patrimônio público e cumprir a legislação.

Assista a reportagem completa abaixo:

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