Polícia

Tribunal do Júri condena vendedora de Leopoldina a 15 anos de prisão por matar e incendiar corpo de homem em Recreio

Márcio André Medeiros, de 44 anos, com quem a ré tinha dívidas, foi assassinado em fevereiro de 2025. A defesa vai recorrer

Por Liriane Rodrigues

O Tribunal do Júri em Leopoldina condenou a 15 anos de prisão a vendedora leopoldinense Miriã dos Santos Bragança Ferreira da Rocha, de 38 anos, pelo homicídio de Márcio André Medeiros, de 44 anos, cometido no município de Recreio, em fevereiro de 2025. Márcio foi baleado na cabeça e depois carbonizado dentro de seu carro, em uma estrada rural. As investigações apontaram que o crime foi motivado por dívidas que a ré tinha com a vítima.

A sentença, a ser cumprida em regime fechado, foi proferida pela juíza Mônica Barbosa dos Santos, na noite desta quarta-feira, dia 21 de outubro. Miriã já está na cadeia há um ano e meio. Os advogados de defesa informaram que vão recorrer da decisão.

“O resultado não foi o esperado. Das cinco teses que sustentamos, conseguimos três e vai haver um recurso para tentar rever os principais pontos em benefício da nossa cliente. A gente vai analisar se vai requerer um novo julgamento, por julgamento contrário às provas dos autos, mas indiscutivelmente a gente vai pedir a reanálise da dosimetria da pena”, disse o advogado de defesa Willian Campos Silva Moreira, em entrevista exclusiva à nossa reportagem.

Durante quase 15 horas de julgamento, os sete jurados ouviram o depoimento da ré e de oito testemunhas, acompanharam as provas apresentadas pelo Ministério Público e a sustentação dos advogados de defesa.

A acusação apresentou divergências nos depoimentos da ré e sustentou que Miriã executou o homicídio em conluio com Celso Antônio Martins de Almeida, à época com 64 anos, com quem mantinha um relacionamento amoroso.

O promotor também defendeu a tese de que Miriã se aproveitava do fato de Celso ser apaixonado para manipulá-lo a fazer o que ela queria e para explorá-lo financeiramente. Sobre o fato de a perícia não ter atestado qual dos dois autores foi o atirador, a acusação destacou que comete o crime todo aquele que dá causa ao fato e não apenas quem aperta o gatilho.

Já a defesa bateu na questão da perícia não indicar o atirador e sustentou que Miriã vinha sendo chantageada e pressionada pela vítima a pagar suas dívidas, o que teria gerado problemas psicológicos. Os advogados também defenderam que não há provas de que a denunciada concorreu para o crime e nem que o planejou ou premeditou.

Além disso, a defesa trabalhou para convencer os jurados de que, embora a ré tenha confirmado ter presenciado o crime, ela estava no local com o intuito apenas de negociar a dívida e que o assassinato foi cometido e toda a situação conduzida pelo amante, que, apaixonado, “tomou as dores” de Miriã. Celso também foi acusado pelo homicídio e preso, mas morreu quando cumpria prisão domiciliar.

Márcio André Medeiros, que era natural de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, desapareceu na noite do dia 16 de fevereiro de 2025, depois de avisar a parentes e amigos que estava vindo para Leopoldina encontrar com Miriã. Em mensagens de áudio enviadas à esposa momentos antes de seu desaparecimento, ele demonstrou estar apreensivo e disse que, se algo lhe acontecesse, era para procurar a polícia. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte.

Márcio deixou nove filhos e netos. Sua família materna é de Leopoldina e a paterna de Recreio.

Assista a reportagem completa abaixo:

Leia também:

Começa em Leopoldina julgamento de mulher acusada de homicídio de empresário encontrado carbonizado em Recreio

Últimas Publicações

Você não pode copiar conteúdo desta página